Autor: Andrea Hirata
Editora: Arqueiro
2012
280 págs
"A Educação é um direito básico do ser humano e em todo o mundo existem crianças e professores que ainda lutam para garantir esse direito".
Esse livro nos conta a história de vida de um grupo de crianças e seus professores e sua luta para continuar estudando. Eles vivem na ilha de Belitung, na Indonésia, ilha rica em recursos naturais, mas como em várias partes desse mundo eles não tem direito de usufruir dessas riquezas porque uma empresa extrangueira já se apossou dela.
"O governo indonésio tomou a PN (empresa que retira os recursos naturais) dos colonizadores holandeses, assumindo não apenas seus bens como também sua mentalidade feudal. Mesmo depois que a Indonésia se tornou independente, o tratamento dado pela PN a seus empregados nativos continuou bastante discriminatório. Esse tratamento diferia com base em grupos, como num sistema de castas." pág. 25
No livro o narrador da história nos mostra tudo que podemos encontrar na ilha, desde sua colonização até os dias atuais. Mostra a rotina sofrida dos moradores nativos, suas perspectivas de vida, sua religião (muçulmano) e suas crenças, as diferenças sociais etc. É interessante perceber o crescimento da consciência crítica nos alunos, depois de um tempo de estudo, além de sua visão irônica em certos momentos.
É triste ver como as crianças não são motivadas a estudar porque os pais não tem condição de pagar por esse estudo até o mesmo se formar, então eles dão preferência ao trabalho para assim ajudar no sustento da familia.
" A discriminação educacional praticada pela PN contribuía para acabar com sua disposição de mandar os filhos para a escola." pág. 33
Nesse contexto encontramos dois professores que mesmo pobres acreditam que a educação pode mudar o mundo e por isso lutam para manter a carente escola da aldeia funcionando.
" A Primeira lição que Pak Harfan nos deu foi sobre buscarmos nossos sonhos com vontade e convicção. Ele nos convenceu de que a vida podia ser feliz mesmo na pobreza, desde que se tivesse a coragem de, em vez de receber, dar o máximo possível." pág. 22
"Para nós, Bu Mus e Pak Harfan eram legítimos patriotas sem medalhas de honra. Eram nossos professores, amigos e guias espirituais. Os dois eram nossos heróis não celebrados, um príncipe e uma princesa de bondade e poços cristalinos de conhecimento num deserto de abandono." pág.36
Os relatos dos esforços que os alunos fazem para conseguir estudar são surpreendentes. A infra-estrutura da escola não tem a mínima condição de funcionamento, mas eles não se deixam abater e continuam estudando.
"Estudar era o lazer que fazia com que o menino se esquecesse das agruras da vida. Para ele, os livros eram como água de um poço sagrado na mesquita de Meca, renovando suas energias para pedalar contra o vento todos os dias. Mergulhar em cada frase que lia." pág. 55
É revoltante perceber que ninguém ajuda esse escola mas inspirador acompanhar a paixão pelo conhecimento vencer cada obstáculo. Para mim um dos pontos alto da história é quando tem uma competição de conhecimento entre a escola modelo (que é patrocinada pela PN) e a escola da aldeia; e os nativos conseguem provar seu valor; mas para minha surpresa nada muda na realidade deles, nenhuma ajuda aparece para melhorar a escola.
"Aqueles dois troféus explicava por que Alá nos dera aqueles dois talentosos meninos. Mahar nos infundiu coragem para competir. Lintang nos infundiu coragem para sonhar." pág. 192
Com o passar dos anos as crianças crescem e cada um segue seu caminho, uns bons e outros nem tanto. Porém o mais interessante foi acompanhar o nascimento da esperança e autoconfiança nos alunos daquela pequena escola, além disso tiveram uma ótima infância ao lado de amigos e viveram momentos inesquecíveis naquela escola que tão bravamente representou a resistência a opressão dos poderozos.
Percebi que o conhecimento está disponível para aqueles que realmente o querem, porque mesmo sem recursos físicos suas almas foram guiadas para os melhores caminhos.
"O conhecimento tinha a ver com amor-próprio, que a instrução era um ato de devoção ao criador e que a escola nem sempre tinha o propósito de prover diploma e dinheiro. A escola tinha a ver com dignidade e pretígio. A instrução era a celebração da humanidade, da alegria de estudar, a luz da civilização. Mas esses esclarecimentos não eram registrados pelas crianças pequenas, marginalizadas pela descriminação e deslumbradas por bens materiais sedutores." pág. 194
Bem é isso gente espero que tenham gostado da resenha e que leiam esse livro, ele tem uma linda mensagem de esperança!!!!!
Obrigada por visitar, ler e deixar sua opinião!!!